sábado, 3 de dezembro de 2011

Geografia para quê?

Geografia para quê?
Geografia para quem?

O texto aborda sobre a importância do conhecimento geográfico e a finalidade do seu estudo. A intenção dos autores é realizar uma reflexão em busca de respostas para o seguinte questionamento: Quem realmente sabe mais geografia, a escola, as grandes empresas, o Estado ou os estudantes em nossas escolas?
Em resposta a essa questão, a reflexão dos autores concluiu que o conhecimento geográfico tornou-se um verdadeiro instrumento de dominação dos detentores do capital e dos interesses estratégicos dos governos e dos blocos de poder. 
Segundo os autores, as grandes empresas principalmente as multinacionais necessitam de bons conhecimentos de geografia para criar as suas estratégias de expansão, do contrário, tendem a enfrentar grandes prejuízos, sobretudo prejuízos financeiros. É uma prática comum nas grandes empresas a adoção de um planejamento estratégico, caracterizado por alguns aspectos fundamentais, são eles: política mundial de atuação; produção com objetivos mundiais; sistema de distribuição global de seus produtos e política publicitária que relacione cultura local e padrões de consumo internacionais;
Nesse contexto, percebe-se que o capital atribui grande importância ao conhecimento da Geografia, História, Antropologia, Política e Religião para alcançar as suas metas e objetivos econômicos.
Do mesmo modo, os países e blocos econômicos, precisam de uma visão estratégica que lhes dê viabilidade para encontrar caminhos adequados para as suas opções industriais, comerciais, tecnológicas e militares. Neste caso, o conhecimento geográfico auxilia os sistemas de espionagem, permitindo que os organismos de controle do Estado atuem de modo a gerenciar os seus espaços de dominação e controlar a vida dos seus cidadãos, chegando a muitos casos a perseguir e silenciar os seus opositores. Atualmente é indispensável para os Países ter o monopólio ou, pelo menos, o acesso fácil às informações consideradas essenciais.    
Percebe-se nesse contexto que o conhecimento geográfico torna-se cada vez mais importante no nosso cotidiano e em diversos setores na nossa vida social, privilegiando principalmente o capital, o Estado e os blocos econômicos. Sendo assim, essa reflexão suscita os seguintes direcionamentos: a utilização da Geografia como ciência auxiliar à outras áreas de interesse; a modificação da teoria e do método de estudo das relações que produzem o espaço, ampliando os horizontes da Geografia enquanto disciplina, paralelo a produção de um conhecimento multidisciplinar; a necessidade de aprofundar o debate a respeito da democratização do conhecimento geográfico, tendo em vista a sua utilização em benefício dos grupos econômicos e dos países ricos.
Com essa reflexão, os autores fazem o seguinte questionamento: Qual o espaço e a importância do estudo da geografia no ambiente escolar? Seria destinado à escola apenas o papel derivado de absolver o conhecimento produzido fora dela? Como viabilizar a produção de um conhecimento atualizado e historicamente importante, se não se dispõe dos mesmos recursos tecnológicos e econômicos utilizados pelos detentores do poder em seus projetos de controle do saber e da economia?
No intuito de contribuir para a reflexão destas questões, os autores colocam seus pontos de vista sobre o ensino da Geografia nas escolas. Eles evidenciam que é necessário acreditar na força revolucionária da educação para a construção de uma sociedade democrática e, que é preciso muito mais do que boas intenções e voluntariado para sanar as deficiências da prática do ensino escolar, em particular o ensino da Geografia. Segundo os autores é preciso primeiro aceitar as críticas que são feitas à prática do ensino escolar, principalmente aquelas concentradas nos seguintes pontos: conteúdos extensos e desvinculados da realidade escolar; metodologia inadequada com conteúdos predefinidos que não motivam para o contato com a realidade; postura pouco participativa do professor; crítica a passividade dos alunos que não se manifestam em propor mudanças; a falta de recursos materiais, salários defasados, material didático ultrapassado ou inadequado; a necessidade de reformulação na política de formação de professores que é inadequada à realidade atual e ainda a desvalorização social da profissão de professor.
Um segundo ponto de vista destacado pelos autores é que o trabalho na escola deve partir da realidade vivida por professores e alunos. Um terceiro ponto de vista considerado relevante para os autores é que se deve incentivar a criatividade de estudantes e professores nas práticas de ensino. Um outro ponto mencionado pelos autores é que não se devem desperdiçar as oportunidades de reflexão coletiva sobre assuntos atuais e relevantes para a sociedade. Em relação a esses quatro pontos citados, os autores sugerem atividades pedagógicas coletivas voltadas para a construção do conhecimento. Essas práticas consistem na observação e análise do espaço geográfico, com o objetivo de integrar teoria e prática, permitindo assim que o estudante conheça o meio em que vive e adquira uma consciência sócio-cultural que o estimule à ações

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