sábado, 3 de dezembro de 2011

Gênero Literário

Os Gêneros literários são divididos desde a antiguidade clássica em três grupos: narrativo ou épico, lírico e dramático. Essa divisão foi proposta pelos filósofos da Grécia antiga, Platão e Aristóteles. Essa divisão clássica engloba diversas categorias menores, chamadas de subgêneros. O conto é uma das modalidades textuais pertencentes ao gênero narrativo e é escrito preferencialmente na forma de texto em prosa, embora possa ser escrito também na forma de texto em versos. É obra de ficção que conta situações rotineiras de forma sintetizada, anedotas e até folclores (conto popular). Inicialmente, o conto fazia parte da literatura oral e posteriormente passou a ser reproduzido na forma de texto escrito. Boccaccio foi o primeiro a reproduzir contos nessa forma, com a publicação de Decameron.
Principais características
Ø  -brevidade (textos de poucas páginas – histórias curtas)
Ø  -não obrigatoriedade dos fatos narrados serem verídicos.
Ø  -temas tratados com dose de tensão, visando despertar o interesse do leitor.
Ø  -densidade dos fatos centrada num determinado momento da condição humana.
Ø  -presença de sentido de valores ou conflitos morais.
Ø  -o escritor de conto aprofunda-se em seu personagem.
Ø  -o autor de conto utiliza linguagem literária para exprimir a densidade psicológica ou moral do personagem.
Principais estilos de conto
Ø  -conto popular
Ø  -conto infantil
Ø  -conto moderno
Ø  -conto contemporâneo
Tipos de contos
Ø  -Humo e Cômicos
Ø  -Fantásticos
Ø  -Mistério e Terror
Ø  -Realistas
Ø  -Psicológicos
Ø  -Sombrios
Ø  -Religiosos
Ø  -Minimalistas
Ø  -Eróticos

Outras informações
Os contos se consolidaram na Idade Moderna e os principais contos publicados são: Contos de Canterburry (Canterbury Tales) de Chaucer, “O Decameron” de Bocaccio, e as “Mil e Uma Noites”.
O conto tomou impulso no século XIX por contar histórias curtas (short-story) e caiu no gosto da população, auxiliado pela expansão da imprensa notadamente nos Estados Unidos, onde o termo short-story foi criado.
O conto possui características que o confunde com outros dois estilos literários, a crônica e a fábula. O que diferencia o conto da crônica é fato do escritor de conto aprofundar-se em seu personagem, utilizando linguagem literária para exprimir a densidade psicológica ou moral do personagem, já o cronista não apresenta tal comprometimento, narrando os fatos com linguagem jornalística, ágil e imparcial. A fábula diferencia-se do conto quando o seu contador tira do fato narrado uma lição de moral.

Bibliografia consultada: CORTAZAR, Júlio. Alguns aspectos do conto. In: Valise de Cronópio. São Paulo: Perspectiva, 1997, pp.147-163.
SÁ, Jorge de. Crônica: uma definição. In. A Crônica. São Paulo: Ática, 2001, pp.5-11
Wikipédia, a enciclopédia livre, pesquisa realizada em 23-11-2

Geografia para quê?

Geografia para quê?
Geografia para quem?

O texto aborda sobre a importância do conhecimento geográfico e a finalidade do seu estudo. A intenção dos autores é realizar uma reflexão em busca de respostas para o seguinte questionamento: Quem realmente sabe mais geografia, a escola, as grandes empresas, o Estado ou os estudantes em nossas escolas?
Em resposta a essa questão, a reflexão dos autores concluiu que o conhecimento geográfico tornou-se um verdadeiro instrumento de dominação dos detentores do capital e dos interesses estratégicos dos governos e dos blocos de poder. 
Segundo os autores, as grandes empresas principalmente as multinacionais necessitam de bons conhecimentos de geografia para criar as suas estratégias de expansão, do contrário, tendem a enfrentar grandes prejuízos, sobretudo prejuízos financeiros. É uma prática comum nas grandes empresas a adoção de um planejamento estratégico, caracterizado por alguns aspectos fundamentais, são eles: política mundial de atuação; produção com objetivos mundiais; sistema de distribuição global de seus produtos e política publicitária que relacione cultura local e padrões de consumo internacionais;
Nesse contexto, percebe-se que o capital atribui grande importância ao conhecimento da Geografia, História, Antropologia, Política e Religião para alcançar as suas metas e objetivos econômicos.
Do mesmo modo, os países e blocos econômicos, precisam de uma visão estratégica que lhes dê viabilidade para encontrar caminhos adequados para as suas opções industriais, comerciais, tecnológicas e militares. Neste caso, o conhecimento geográfico auxilia os sistemas de espionagem, permitindo que os organismos de controle do Estado atuem de modo a gerenciar os seus espaços de dominação e controlar a vida dos seus cidadãos, chegando a muitos casos a perseguir e silenciar os seus opositores. Atualmente é indispensável para os Países ter o monopólio ou, pelo menos, o acesso fácil às informações consideradas essenciais.    
Percebe-se nesse contexto que o conhecimento geográfico torna-se cada vez mais importante no nosso cotidiano e em diversos setores na nossa vida social, privilegiando principalmente o capital, o Estado e os blocos econômicos. Sendo assim, essa reflexão suscita os seguintes direcionamentos: a utilização da Geografia como ciência auxiliar à outras áreas de interesse; a modificação da teoria e do método de estudo das relações que produzem o espaço, ampliando os horizontes da Geografia enquanto disciplina, paralelo a produção de um conhecimento multidisciplinar; a necessidade de aprofundar o debate a respeito da democratização do conhecimento geográfico, tendo em vista a sua utilização em benefício dos grupos econômicos e dos países ricos.
Com essa reflexão, os autores fazem o seguinte questionamento: Qual o espaço e a importância do estudo da geografia no ambiente escolar? Seria destinado à escola apenas o papel derivado de absolver o conhecimento produzido fora dela? Como viabilizar a produção de um conhecimento atualizado e historicamente importante, se não se dispõe dos mesmos recursos tecnológicos e econômicos utilizados pelos detentores do poder em seus projetos de controle do saber e da economia?
No intuito de contribuir para a reflexão destas questões, os autores colocam seus pontos de vista sobre o ensino da Geografia nas escolas. Eles evidenciam que é necessário acreditar na força revolucionária da educação para a construção de uma sociedade democrática e, que é preciso muito mais do que boas intenções e voluntariado para sanar as deficiências da prática do ensino escolar, em particular o ensino da Geografia. Segundo os autores é preciso primeiro aceitar as críticas que são feitas à prática do ensino escolar, principalmente aquelas concentradas nos seguintes pontos: conteúdos extensos e desvinculados da realidade escolar; metodologia inadequada com conteúdos predefinidos que não motivam para o contato com a realidade; postura pouco participativa do professor; crítica a passividade dos alunos que não se manifestam em propor mudanças; a falta de recursos materiais, salários defasados, material didático ultrapassado ou inadequado; a necessidade de reformulação na política de formação de professores que é inadequada à realidade atual e ainda a desvalorização social da profissão de professor.
Um segundo ponto de vista destacado pelos autores é que o trabalho na escola deve partir da realidade vivida por professores e alunos. Um terceiro ponto de vista considerado relevante para os autores é que se deve incentivar a criatividade de estudantes e professores nas práticas de ensino. Um outro ponto mencionado pelos autores é que não se devem desperdiçar as oportunidades de reflexão coletiva sobre assuntos atuais e relevantes para a sociedade. Em relação a esses quatro pontos citados, os autores sugerem atividades pedagógicas coletivas voltadas para a construção do conhecimento. Essas práticas consistem na observação e análise do espaço geográfico, com o objetivo de integrar teoria e prática, permitindo assim que o estudante conheça o meio em que vive e adquira uma consciência sócio-cultural que o estimule à ações
Segundo o autor Fridrick Engels, o trabalho é a condição básica e fundamental de toda vida. Há quem discorde dessa tese, ou seja, ela não é consensual. O fato é que todos concordam que o trabalho - sendo ou não considerado como condição básica – é a fonte de toda a riqueza. Foi a partir do trabalho que a raça humana começou a evoluir e continua evoluindo, afinal, não somos seres suficientemente desenvolvidos. A realidade social que vivenciamos nos dias atuais, deixa claro que ainda teremos que evoluir muito.
O trabalho começa com a confecção dos primeiros instrumentos de caça e pesca, que também eram utilizados como armas de guerra e de defesa. Isso passa a acontecer a partir da evolução do homem primata para o homem acabado, o que fez surgir os primeiros grupos sociais ou as primeiras sociedades. Nessa transição, o homem descobre um grande aliado que passa a contribuir substancialmente para a sua sobrevivência; o fogo. Esse elemento da natureza influenciou de maneira significativa no modo de vida dos nossos antepassados. É o fogo que permite que os alimentos sejam preparados antes de serem ingeridos, aquece nas noites de frio, protege o grupo dos animais ferozes e ilumina nas noites escuras. Em um primeiro momento da história, o homem tinha o conhecimento das técnicas de se obter o fogo, somente era possível consegui-lo por meio da queda de um raio que incendiava as florestas. Uma vez obtido, a sua chama era mantida acesa com todos os cuidados necessários. Esse fato tornava o grupo um alvo constante dos ataques de grupos rivais que visavam apossar-se do fogo para os mesmos fins. Trava-se assim, uma verdadeira guerra pelo fogo.
Foi graças ao contato de um grupo menos avançado culturalmente com outros mais desenvolvidos, que a técnica primitiva de se obter fogo foi descoberta e difundida, foi possível também a descoberta de outros tipos de instrumentos para a caça e a pesca, bem como a descoberta de novos utensílios e a aquisição de novos hábitos. A caça associada à domesticação de animais e ao uso do fogo propiciou ao homem mais reservas de carne de forma mais regular, bem como, novos alimentos, como o leite e os seus derivados. Assim, o homem foi gradativamente adaptando a natureza as suas necessidades imediatas, e ocupando diversos e diferentes espaços. Nesse contexto sugiram novas formas de trabalho e novas atividades além da caça e da pesca, são elas: a agricultura, a fiação, a tecelagem, a fundição de metais, a olaria, a navegação, o comércio, as artes e as ciências. Surgiram as nações, os estados, o direito e a religião.
Esse rápido desenvolvimento da nossa civilização é atribuído ao desenvolvimento da nossa atividade cerebral. O cérebro que antes apenas pensava e planejava o trabalho, passa também a criar mecanismos capazes de obrigar ou convencer outros seres humanos a realizar um determinado trabalho, instituindo assim, a exploração do trabalho, ou seja, o ser humano é obrigado a se submeter a um tipo de situação na qual ele terá que trabalhar em troca de um salário ou outro tipo de benefício para gerar riqueza para um terceiro, ou aquele que possui os meios de produção (terras, máquinas, ferramentas e etc.).     
O trabalho voltado exclusivamente para a produção e visando o lucro, gerou a divisão da população em classes sociais antagônicas, a classe dos dominantes, ou classe burguesa e o proletariado. Essa é uma das principais características dos sistemas de produção que surgiram na história da humanidade, a partir da decadência e o fim da propriedade comunal. A conseqüência dessa divisão é a concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas (burguesia), enquanto a maioria (proletariado) fica com as migalhas.
O processo de produção depende de uma mão de obra especializada, são técnicas e outros conhecimentos que vão permitir aos homens produzir o objeto do seu trabalho. É necessário aprender a trabalhar. Com o fim da propriedade comunal, a classe dos proprietários de terra descobre que pode viver sem trabalhar, vivendo somente da exploração do trabalho alheio. Foi ai que surgiu o escravismo. Essa divisão de classes provocou uma divisão na educação, passou-se a ter um sistema de educação divido em duas modalidades distintas: uma educação para a classe proletariada, que consistia em ensinar somente o básico para que o escravo realiza-se com destreza a sua tarefa, e uma outra educação voltada para a classe dos proprietários, esta, identificada como a educação dos homens livres, centrada em atividades intelectuais, na arte da palavra e nos exercícios físicos.
Da época do escravismo até os dias atuais, esse dualismo na educação veio se perpetuando. O atual sistema capitalista, caracterizado por uma extrema desigualdade social, continua mantendo essa divisão de classes. Hoje temos uma educação para o pobre e uma educação para o rico, uma escola privada melhor equipada para atender aos filhos das famílias com um bom poder aquisitivo e uma escola pública carente de vários recursos para atender aos filhos das famílias das camadas mais baixas da sociedade. Nesse contexto, é a produção quem define o tipo de educação que será desenvolvida nas escolas e também nas faculdades. O mercado de trabalho necessita basicamente de dois tipos de profissionais: aqueles com habilidades para profissões manuais, que requerem um conhecimento mínimo e limitado - com pouco conhecimento teórico - e profissionais intelectuais, com amplo domínio de fundamentos teóricos, a fim de preparar as elites e representantes da classe dirigente.
Finalizando este breve resumo, concluo afirmando que toda a nossa educação é voltada exclusivamente para o trabalho, desde a infância somos preparados para ser útil à sociedade, para cumprir um papel, somos valorizados mais como utilidade e objeto do que como sujeito.   
O artigo do autor Mauro Titton aborda sobre a polêmica em torno do debate acerca do trabalho como princípio educativo, buscando com este artigo identificar o núcleo central dessa discussão entre intelectuais militantes comprometidos com a transformação da atual sociedade de classes, visando à construção do comunismo
O autor parte do principio de que o trabalho e a categoria fundante do ser social, isso, por que é por meio do seu trabalho que o ser humano garante a sua existência e transforma o meio em que vive, pela necessidade que ele tem de adaptar a natureza as suas necessidades. Porém, o sistema capitalista centrado na produção é quem controla o trabalho ou meios de produção e o subordina a sua lógica de mercado baseada no lucro a todo custo. Essa situação é danosa à sociedade, pois permite que o sistema capitalista organize as relações sociais e desumanize o se humano com a sua lógica. Para fazer frente a essa situação é necessário buscar meios para tornar possível uma educação que humanize o ser humano, tirando a alienação imposta pelo sistema, que educa os trabalhadores para uma sociabilidade de relações estranhadas.         
O autor cita as experiências vivenciadas pelos movimentos sociais como uma alternativa para enfrentar e romper com a lógica imposta pelo sistema capitalista. Nos movimentos sociais o trabalho como princípio educativo articula-se à proposição pedagógica de Pistrak (2000) sobre a auto-organização do coletivo, que traz elementos centrais para distinguir entre as diferentes formas de compreensão da auto-organização e suas implicações no processo de trabalho pedagógico que busca construir um novo projeto histórico, ou seja, que deve lidar com a formação rompendo com a lógica nela imposta pelo capital. O autor alerta que essa auto-organização deve estar baseada no coletivo, onde todos tenham plena compreensão dos objetivos comuns e da intencionalidade posta nestes objetivos.
O autor defende uma revolução socialista, tendo como base o marxismo e como elemento central impulsionador a auto-organização do coletivo articulada ao trabalho socialmente útil, e alerta que essa revolução se torna cada vez mais urgente, já que o sistema capitalista encontra-se em crise, e por está nesta situação, se torna mais danoso a sociedade, contribuindo para o caos social e a degradação da vida humana.
É preciso está atento e assumir uma postura crítica frente à realidade atual para superar a lógica do capital e construir uma proposta educativa para além do capital.                       .         


Devemos afastar essa história do currículo?


Os autores desenvolvem o texto a partir do seguinte questionamento: devemos afastar essa história do currículo? Nele os autores abordam a problemática no currículo de algumas escolas relacionada ao ensino da história.
A abordagem analítica e crítica é formulada a partir da constatação de que em alguns currículos e suas respectivas práticas pedagógicas o ensino da disciplina é fundamentado em uma concepção tradicional já ultrapassada. Tal concepção de caráter positivista resulta no estudo dos fatos históricos como fim em si mesmo, um estudo baseado na memorização de datas, nomes considerados importantes, feitos heróicos envolvendo grandes personalidades e a história das classes dominantes. Alem disso, essa concepção prega um visão da sociedade como sendo homogênea e harmônica, na qual o homem é um simples sujeito passivo.
Analisando esses resultados na ótica da cultura e da política, percebemos que esse tipo de ensino forma sujeitos com dificuldades para assumir uma postura crítica e coerente diante dos acontecimentos do presente e do passado, pois as informações recebidas ou transmitidas não causam nenhum impacto na vida dos sujeitos e não influenciam nas suas relações com o meio social.
Sem a devida interpretação dos fatos estudados, o ensino da história está fadado a inutilidade, já que o aluno não compreende toda a verdade que está por traz dos acontecimentos estudados, e muito menos a complexidade que envolve as relações em sociedade.
Esses argumentos apresentados até aqui, já são suficientes para defender a idéia de que essa história deve sim ser afastada do currículo das escolas, em seu lugar é necessário que se construa um novo processo de ensino-aprendizagem, fundamentado em novas concepções que possibilitem a formação do verdadeiro cidadão, capaz de atuar de forma consciente e crítica no novo contexto social do século XXI.
Na tentativa de quebrar com essa concepção positivista ultrapassada, o marxismo trouxe uma enorme criticidade para o estudo da história, pregando uma sociedade em constante conflito de classes e o homem como sujeito da história. O estudo da história dentro dessa concepção é centrado na luta de classes e nos meios de produção e propõe um método mais dialético na apresentação dos conteúdos a serem estudados, sob a  argumentação de que essa forma facilita a apresentação do conteúdo. No entanto, essa metodologia acaba resultando em uma apresentação simplista a rápida dos fatos históricos, na qual o professor se torna mais um contador de histórias e aluno um mero ouvinte, sem a opção de pesquisar, refletir e produzir seu próprio conhecimento, sendo moldado a pensar e se posicionar criticamente em conformidade com algumas ideologias     

O Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes

O abuso sexual de crianças e adolescentes é um crime hediondo. É identificado em todas as camadas sociais, independente de condição econômica, sexo, raça e idade. Esse tipo de violência contra o menor consiste na participação de crianças e adolescentes na prática de atos libidinosos com pessoas adultas. Nessas práticas sexuais, o menor serve de objeto de prazer para satisfazer as taras dos adultos. A vítima é forçada a se submeter a esta violência sem ter maturidade suficiente para compreender o que está acontecendo.
     O abuso sexual se caracteriza por diversas formas em suas expressões; são elas: nudez, exposição da genitália, carícias, toques, penetrações digitais, sexo oral, vaginal, anal, relacionamento sexual grupal, shows e filmagens pornográficas com participação de animais e objetos. Além disso, o silêncio das vítimas motivado por ameaças a sua vida e a de seus familiares, caracteriza esse crime como grave, perverso e difícil de ser descoberto.
     Os primeiros relatos sobre crimes dessa natureza datam da década de 60, embora o assunto já tenha sido abordado em 1919, em um artigo escrito por Freud. Medicamente o abuso sexual é dividido em duas patologias: a pedofilia (abuso de crianças) e a hebefilia (abuso de adolescentes). Na maioria dos casos os agressores são membros da família e pessoas conhecidas da família da vítima, como empregados da residência, amigos da família, parentes consaguíneos, pais, educadores e etc. Na maioria desses casos os agressores são do sexo masculino e difíceis de serem identificados, pois são oriundos de todas as raças e níveis sociais. Além disso, o acusado na maioria dos casos sofreu violência sexual na infância ou na adolescência e acabam por se tornar também agressores sexuais.
     A relação mais comum e mais frequente em casos policiais dessa natureza é a relação entre pai e filha, embora também seja comum, porém, pouco noticiada nas manchetes policiais e nos prontuários médicos, a relação incestuosa entre irmãos.  A maioria desses casos de incesto ocorre em um ambiente familiar marcado pelo domínio do pai, que controla a todos pela força e pela coerção e também pela conivência e o silêncio da mãe, o que dificulta a descoberta do crime.
     O diagnóstico do crime é possível por meio do comportamento e outras manifestações da criança, que podem sugerir abusos sexuais, por exemplo: interesse precoce por brincadeiras sexuais, aversão a atividades ou brincadeiras de conotação sexual; medo de ficar sozinha (gruda demais em outras pessoas); comportamento emocionalmente regressivo, como chupar dedo, agarrar-se a uma frauda, evita sair de casa, fantasias suicidas, depressão, calor, criação de um mundo e de um amigo imaginários e promiscuidade. Outras possibilidades que devem ser consideradas são: terror e pavor noturnos; sonambulismo; medo de adormecer e ser atacado; dificuldade em confiar em outras pessoas; ansiedade; medo do sexo oposto, agressividade, hostilidade, destrutivo; hiperativo; postura de pessoa madura; isolamento; dificuldade em manter ou estabelecer amizades construtivas; submissão; obediência ao extremo; dificuldade em expressar desejos, sentimentos e vontades. Os adolescentes tendem ao uso de drogas lícitas e ilícitas e tornam-se em alguns casos dependentes químicos. As drogas funcionam como um meio de aliviar as tensões, os traumas, a depressão e outros sentimentos dolorosos decorrentes do abuso sexual e da violência. Na criança, quanto mais rápido for identificado o abuso, mais rápido será o processo de acompanhamento e intervenção na realidade.
     O tratamento das vítimas de abuso sexual é feito principalmente por meio de terapias. Estas podem ser aplicadas por alguns profissionais, como: pediatra, assistente social, psicoterapeuta, padre, orientador educacional e etc. A família da vítima também deve passar por tratamento terapêutico, pois ela é quem vai estar ao lado do menor durante o processo de recuperação, acompanhando a sua evolução emocional. Essa terapia com o menor deve ser desenvolvida de maneira individual em paralelo com a trabalho realizado com a família e só mais tarde os dois podem ser inseridos no mesmo grupo. Essa união da família com o menor é um fator importante no processo de recuperação. 
     O agressor deve também passar por tratamento para evitar que volte a molestar sexualmente menores. É importante salientar que o agressor não deve apenas cumprir uma pena imposta pelo estado. Este deve fornecer tratamento psicológico adequado e reintegra-lo a sociedade. Isto é uma das formas de prevenção; evitar a reincidência. Outras formas são: a educação sexual nas escolas, igrejas e associações, como forma de ensinar aos menores que somente eles tem direito sobre o seu corpo e que ninguém pode tocá-lo sem o seu consentimento; implantação de serviços de ajuda por telefone e Internet, que deve funcionar também como meio de denunciar os abusos e os agressores; tratamento para famílias incestuosas; centros de prevenção para crises em estupro, visando o atendimento de mulheres menores vítimas desse tipo de abuso, que se sentem constrangidas em procurar ajuda no início; programas de orientação e educação de familiares e futuros pais, promovidos por instituições religiosas, associações e hospitais; envolvimento das empresas de comunicação de massa (rádio, jornais, televisão, revistas) em campanhas de combate, prevenção e orientação sobre abuso sexual de menores.
     É de suma importância que toda a sociedade se envolva de forma sistemática no combate e principalmente na prevenção deste crime perverso e covarde, que fere a honra e a dignidade do ser humano.                           




Bibliografia



RIBEIRO, Marcos. (org.). O Prazer e o pensar. São Paulo: Gente, 1999. Vol. 2




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